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"A bomba da gasolina é fatal para os Governos", assume ministro da Economia

"A bomba da gasolina é fatal para os Governos", assume ministro da Economia

Manuel Castro Almeida culpa a inflação pelos maus resultados do PSD nas sondagens. "A bomba da gasolina é fatal para os Governos", admite o ministro da Economia e Coesão Territorial.

Rosário Lira /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o ministro diz que "a opinião publicada é mais negativa do que a realidade dos números", mas a inflação é um problema inegável que o Governo tem de encarar e ao qual os portugueses são muito sensíveis. Castro Almeida acredita que, passando o impacto da inflação, o PSD vai subir nas sondagens.

Rejeita cansaço do Executivo e diz que "este Governo só cairá quando PS e Chega, ao mesmo tempo, acharem que podem ganhar".
O ministro da Economia e da Coesão Territorial desafia o PS a regressar à Lei dos Solos e ir mais longe na urbanização de terrenos rústicos. Em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o governante lembra que o PSD tinha feito uma proposta mais abrangente que acabou num acordo minimalista. Diz mesmo que gostava que houvesse entendimento para "ir mais longe" e adianta: "faz sentido insistir se houver viabilidade de entendimento".
Sobre a linha de crédito para os municípios avançarem com a urbanização de terrenos, Castro Almeida adianta que, no primeiro trimestre do próximo ano, o Banco Europeu de Investimento (BEI) deverá disponibilizar a verba necessária: "mais de 500 milhões de euros e menos de 1000 milhões de euros".
O responsável pela pasta da Economia e da Coesão Territorial acredita também que, com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mais mão de obra fique disponível "para as construtoras fazerem mais casas porque vão estar a fazer menos escolas".
Nesta entrevista, o ministro não exclui um reforço do capital do Estado na Galp, que atualmente é de oito por cento. "Se disser que está fora de causa, estou a mentir. Vamos avaliando", revela.
Acerca do fim do negócio com a Moeve, Castro Almeida assegura que o Governo fez saber à empresa que tem a única refinaria que existe em Portugal que está subordinada a um princípio de interesse público. Sem querer adiantar qual o peso do Estado na decisão, o governante assegura que "o Governo cumpriu o seu dever marcando a importância de os portugueses terem a garantia que a mudança de propriedade não ia criar riscos em caso de turbulência no mercado energético".
Em relação à TAP, nomeadamente sobre avançar para uma privatização da totalidade do capital do Estado e a um eventual diálogo com a oposição, o ministro refere apenas que os partidos conhecem a posição do Governo e que "não podem deixar de estar a pensar neste assunto". Adianta: "eu ficaria muito penalizado se desperdiçássemos esta oportunidade", e refere mesmo: "seria um erro gravíssimo...".
Relativamente ao setor automóvel, o ministro diz que quer estar no mapa para potenciais investidores. Confirma que há contactos nesse sentido e que "há potenciais investidores que tem tido um diálogo frutuoso com a Administração Pública portuguesa".
Castro Almeida "ficaria dececionado" se as freguesias fechassem as portas no dia 4 de novembro, em protesto pela falta de financiamento prevista no Orçamento do Estado para o próximo ano. Lembra que as freguesias vão ter para 2027 um orçamento reforçado e, para aquelas que por via dos critérios não conseguem esse objetivo, o orçamento vai ser reforçado com um total de 1 milhão e 700 mil euros.
O ministro admite que, se houver "algum excesso de prudência" nas contas do Orçamento do Estado, diz a experiência, quem vai beneficiar vão ser os reformados.
Quanto a eventuais coligações negativas, que aumentassem a despesa, Castro Almeida considera que seria "criminoso".
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Paulo Moutinho, do Jornal de Negócios.

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